Biografia Tarcísio



Biografia

Filho de Raul Pompeia de Magalhães e de Maria do Rosario Meira (Jáio), descende, por seu pai, da aristocracia rural sul-mineira, havendo sido seu trisavô paterno o tenente-coronel Antônio Joaquim Pereira de Magalhães, e por essa linhagem tem consanguinidade com o Protomártir da Independência do Brasil, o Tiradentes, com o cientista Vital Brazil e com o empresario Oscar Americano, consoante o livro "Vital Brazil Mineiro da Campanha, uma genealogia brasileira", de autoria de Lael Vital Brazil. Por sua mãe pertence a tradicionais troncos paulistas, tais como os Arrudas Botelhos, os Paes Lemes, os Cerqueiras Cesares e os Penteados, conforme relata Silva Leme em sua "Genealogia Paulistana", nos livros 2, 3 e 4.

O Livro dos Recordes não registra a marca, mas Tarcísio Meira não tem dúvidas de que foi “o cara que mais decorou palavras no mundo”. Só na televisão, foram mais de 60 trabalhos, entre novelas, seriados e minisséries, teleteatros e telefilmes, numa carreira que começou em 1961, na extinta TV Tupi: “Com certeza, algum ator mexicano terá feito mais novelas do que eu, falado mais palavras do que eu. Mas ele não terá decorado tantas: eles não decoram, usam ponto eletrônico”, justifica. E poderiam entrar na conta também os 22 longas-metragens que estrelou, dirigidos por cineastas como Glauber Rocha, Walter Hugo Khouri, Anselmo Duarte e Bruno Barreto; e as 31 peças de teatro em que atuou. O que dá cerca de 80 mil páginas, que renderam interpretações memoráveis, não só de personagens ficcionais, mas também de figuras históricas como D. Pedro I e Euclides da Cunha. E não se trata somente de quantidade, mas também de qualidade: Tarcísio marcou presença em momentos-chave da televisão e – por que não dizer até – da cultura brasileira.

Nascido no dia 5 de outubro de 1935, em São Paulo, batizado Tarcísio Magalhães Sobrinho, o ator tomou emprestado da mãe o sobrenome Meira, que, além de ser mais sonoro, somava 13 letras com o primeiro nome – uma superstição da época; é só contar quantas tem Glória Menezes. Quando jovem, queria ser diplomata. Para sorte do espectador, porém, desistiu da ideia ao ser reprovado na primeira prova que fez para o Instituto Rio Branco, em 1957. Decidido a seguir a carreira artística, atuou em peças como Chá e Simpatia (1957), de Robert Anderson, e Quando as Paredes Falam (1957), de Ferencz Molnar, até ser convidado para dividir o palco com Sérgio Cardoso em Soldado Tanaka, de George Kaiser, na qual interpretava um oficial do Exército japonês: “Foi em dezembro de 1959. Eu era muito jovem, e o personagem era muito forte, muito duro, rascante, metálico. Era uma grande responsabilidade. Sérgio Cardoso era o ícone do teatro brasileiro”, conta.

Tarcísio estreou na TV no mítico Grande Teatro Tupi, onde contracenou pela primeira vez com Glória Menezes em Uma Pires Camargo, de Geraldo Vietri. Os dois se casaram no ano seguinte, e estão juntos desde então; mas ele já estava de paquera desde o ano anterior: “Conheci Glória quando estava ensaiando uma peça dirigida por Antunes Filho. Eu a vi passar no palco e falei: ‘Que mulheraço! Que mulher bonita’”, confessa. Da união, nasceu, em 1964, o ator Tarcísio Filho. Em 1963, o casal trocou a Tupi pela Excelsior, onde participou da primeira novela diária da televisão brasileira, 25499 Ocupado, de Dulce Santucci, um sucesso estrondoso. Ainda em 1963, fez o seu primeiro filme, Casinha Pequenina, com Mazzaropi. Antes de ir para a Globo, trabalhou em mais nove novelas da Excelsior, entre elas Ambição (1964), A Deusa Vencida (1965) e Almas de Pedra (1966), todas de Ivani Ribeiro.

Sua estreia na Globo aconteceu em 1968, na novela Sangue e Areia. A adaptação do romance do espanhol Blasco Ibañez escrita por Janete Clair fez com que Tarcísio e Glória se tornassem um dos pares românticos favoritos do público. Também marcou o início de uma parceria duradoura: ele protagonizou mais seis novelas da autora. Irmãos Coragem (1970), na qual viveu o mocinho João Coragem, foi um dos maiores sucessos da fase preto e branco da TV brasileira. Para se ter uma ideia, o seu penúltimo capítulo deu mais audiência que a final da Copa do Mundo. “Foi a primeira novela que os homens admitiam que viam. Até então, eles viam meio escondidos, porque novela era coisa de mulher”, relembra. O último personagem de Janete que interpretou foi o artista plástico Juca Pitanga, de Coração Alado, de 1980 – a autora viria a morrer três anos depois.

Outra parceria bem-sucedida de Tarcísio foi com Lauro César Muniz. A história do país serviu de cenário para Escalada(1975). Nela, o ator viveu Antônio Dias, personagem que interpretou da juventude aos 70 anos, que testemunhou a construção de Brasília: “Foi o primeiro personagem que fiz com uma trajetória de vida inteira”, conta. E também foi a última novela em preto e branco produzida pela emissora. Em seguida, ele atuou em mais duas novelas do autor: Espelho Mágico (1977) e Os Gigantes (1979). Na última, contracenou com outro grande astro da TV da época, Francisco Cuoco. Um verdadeiro duelo de titãs.

Nos anos 1980, Tarcísio deu uma guinada na carreira, deixando definitivamente para trás o rótulo de galã da família brasileira. No cinema, trabalhou com Glauber Rocha em seu último e mais polêmico filme, A Idade da Terra (1981). Noutro longa-metragem do mesmo ano, radicalizou ainda mais: em O Beijo no Asfalto, de Bruno Barreto, baseado na peça de Nelson Rodrigues, seu personagem beijava o de Ney Latorraca na boca. Nada mal para quem havia feito um sedutor D. Pedro I em Independência ou Morte (1972), de Carlos Coimbra. No teatro, interpretou um homossexual na peça Um Dia Muito Especial (1986), baseada no filme homônimo de Ettore Scola; e na TV, fez seu primeiro personagem cômico, em Guerra dos Sexos (1983), de Silvio de Abreu, o trapalhão Felipe: “Era um personagem muito distraído. Eu me lembro de uma cena que fiz num grande shopping de São Paulo. O personagem estava experimentando roupa, de repente pegava a mala e saía andando pelo saguão do shopping de paletó, gravata e cueca!”, diverte-se.

Seus trabalhos seguintes foram adaptações de obras literárias. Em 1984, fez a minissérie Meu Destino é Pecar, de Euclydes Marinho, a partir do folhetim de Nelson Rodrigues. No ano seguinte, interpretou o Capitão Rodrigo Cambará, na minissérie O Tempo e o Vento, de Doc Comparato e Regina Braga, dirigida por Paulo José, baseada na primeira parte da trilogia de Erico Verissimo (O Continente). Ainda em 1985, ele participou de mais uma minissérie: Grande Sertão: Veredas, adaptação de Walter George Durst do livro de Guimarães Rosa, com direção de Walter Avancini. Tarcísio viveu outro capitão, o feio e sujo traidor Hermógenes, em mais uma atuação memorável. Os 25 capítulos da minissérie foram gravados em 90 dias, durante os quais até dois mil profissionais se embrenharam no sertão, em um grande esforço para traduzir o universo e o linguajar muito particular da obra para a TV: “Foi outra ousadia da Globo. Ninguém entendia o que falávamos, mas entendiam tudo o que se passava com os personagens”, diz.

Em 1986, Tarcísio voltou a atuar em novelas, interpretando o inescrupuloso empresário Renato Villar em Roda de Fogo, retomando a parceria com Lauro César Muniz. Ele e Glória Menezes estrelaram depois Tarcísio & Glória (1988), série criada por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon, que inaugurou uma linha de coprodução na Rede Globo. Além de atores, Tarcísio e Glória também eram os produtores do programa. Ele chegou também a dirigir alguns episódios: “Eu só dirigi naquele momento porque não havia diretor disponível. Não tenho, nem nunca tive, pretensão de ser diretor”, explica. Na minissérie Desejo (1990), escrita por Gloria Perez, brilhou interpretando outra figura histórica: o escritor Euclides da Cunha. No mesmo ano, fez Araponga, novela escrita por Dias Gomes, Lauro César Muniz e Ferreira Gullar, que tinham como proposta manter uma estrutura de telenovela com ritmo de minissérie. Na década de 1990, atuou ainda em De Corpo e Alma (1992), Fera Ferida (1993), Pátria Minha (1994) e Torre de Babel (1998). O ator participou também da primeira fase da novela O Rei do Gado (1996), de Benedito Ruy Barbosa, como o italiano Giuseppe Berdinazzi.

Ainda nos anos 1990, Tarcísio participou das minisséries Hilda Furacão (1998), de Gloria Perez, a partir do romance de Roberto Drummond; e A Muralha, adaptação do livro de Dinah Silveira de Queiroz por Maria Adelaide Amaral e João Emanuel Carneiro. Nesta, o ator viveu o vilão Dom Jerônimo, papel que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator da Associação Paulista de Críticos de Arte. Em 2002, atuou em O Beijo do Vampiro, de Antonio Calmon, como o maligno Bóris. Fez uma participação especial na novela Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, em 2004; e, no mesmo ano, atuou na minissérie Um Só Coração, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira. Só voltou a estrelar outra novela em 2006: Páginas da Vida, de Manoel Carlos, na qual interpretou o patriarca Aristide “Tide” Martins de Andrade. Voltou a contracenar com Glória Menezes na TV em 2008, na novela A Favorita, de João Emanuel Carneiro. Em Insensato Coração (2011), de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, interpretou o milionário boa praça Teodoro Amaral.

Carreira

Televisão

• 1963 - 2-5499 Ocupado (Excelsior) .... Larry
• 1964 - Mãe (Excelsior) .... Betinho
• 1964 - Ambição (Excelsior) .... Miguel
• 1965 - A Deusa Vencida (Excelsior) .... Edmundo Amarante
• 1966 - Almas de Pedra (Excelsior) .... Eduardo
• 1967 - Sangue e Areia .... Juan Gallardo
• 1967 - O Grande Segredo (Excelsior) .... Celso
• 1968 - A Gata de Vison .... Bob Ferguson
• 1969 - Rosa Rebelde .... Sandro / Fernando de Aragón
• 1970 - Irmãos Coragem .... João Coragem
• 1971 - O Homem que Deve Morrer .... Ciro Valdez
• 1973 - Cavalo de Aço .... Rodrigo Soares
• 1973 - O Semideus .... Hugo Leonardo Filho / Raul de Paula
• 1975 - Escalada .... Antônio Dias
• 1976 - Saramandaia .... D. Pedro I
• 1977 - Espelho Mágico .... Diogo Maia
• 1979 - Os Gigantes .... Fernando Lucas
• 1980 - Coração Alado .... Juca Pitanga
• 1981 - Brilhante .... Paulo César
• 1982 - Caso Verdade, Filhos da Esperança .... Theo Faron
• 1983 - Guerra dos Sexos .... Felipe de Alcântara Pereira Barreto
• 1984 - Meu Destino É Pecar .... Paulo de Oliveira
• 1985 - Grande Sertão: Veredas .... Hermógenes
• 1985 - O Tempo e o Vento.... Capitão Rodrigo Cambará
• 1986 - Roque Santeiro.... Coronel Emerenciano Castor (participação especial no último capítulo)
• 1986 - Roda de Fogo .... Renato Villar
• 1988 - Tarcísio e Glória .... Bruno Lazarini
• 1989 - Tieta.... ele mesmo (participação especial)
• 1990 - Araponga .... Aristênio Catanduva
• 1990 - Desejo .... Euclides da Cunha
• 1991 - Especial Escolinha do Professor Raimundo - 25 Anos dos Trapalhões .... Ptolomeu
• 1992 - De Corpo e Alma.... Diogo
• 1993 - Fera Ferida .... Feliciano Mota da Costa
• 1994 - Pátria Minha .... Raul Pellegrini
• 1996 - O Rei do Gado .... Giuseppe Berdinazzi
• 1998 - Torre de Babel .... César Toledo
• 1998 - Hilda Furacão .... Coronel João Possidônio
• 2000 - A Muralha .... Dom Jerônimo Taveira
• 2001 - Um Anjo Caiu do Céu .... João Medeiros
• 2001 - Sai de Baixo .... Papai Noel
• 2002 - O Beijo do Vampiro .... Bóris Vladescu
• 2004 - Um Só Coração .... Antônio de Sousa Borba|Coronel Totonho
• 2004 - Senhora do Destino .... José Carlos Tedesco (participação especial)
• 2005 - Bang Bang.... John McGold (participação especial)
• 2006 - Páginas da Vida .... Tide (Aristides Martins de Andrade)
• 2007 - Duas Caras .... Hermógenes Rangel (participação especial)
• 2008 - A Favorita .... Frederico Copola
• 2010 - Afinal, o Que Querem as Mulheres? .... Romeu
• 2011 - Insensato Coração .... Teodoro Amaral

Cinema

• 1963 - Casinha Pequenina
• 1965 - A Desforra
• 1969 - Quelé do Pajeú .... Quelé (Clemente)
• 1969 - Máscara da Traição .... Carlos
• 1969 - Verão de Fogo
• 1970 - Amemo Nus (inacabado)
• 1971 - As Confissões de Frei Abóbora
• 1972 - Independência ou Morte .... D. Pedro I
• 1972 - Missão: Matar
• 1974 - O Marginal .... Valdo
• 1977 - Elza e Helena
• 1979 - O Caçador de Esmeraldas .... capitão-mor
• 1979 - A República dos Assassinos
• 1981 - O Beijo no Asfalto .... Aprígio
• 1981 - Eu Te Amo .... Ulisses
• 1981 - A Idade da Terra
• 1982 - Amor Estranho Amor .... Dr. Osmar
• 1983 - O Cangaceiro Trapalhão
• 1987 - Eu .... Marcelo
• 1989 - Solidão, Uma Linda História de Amor
• 1990 - Boca de Ouro .... Boca de Ouro
• 2011 - Não se preocupe, nada vai dar certo .... Ramon Velasco